Espaço e tempo para as práticas pedagógicas no Ensino Superior Português

Ensino Superior   14 de novembro de 2018
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Desde 2014 que decorre anualmente o Congresso Nacional de Práticas Pedagógicas no Ensino Superior (CNaPPES) com o apoio da DGES e da Secretaria de Estado do Ensino Superior. “Este projeto visa valorizar e promover a excelência pedagógica no Ensino Superior (ES) e contribuir para a criação de comunidades de docentes, a partir da disseminação das suas práticas e da aprendizagem com os pares.” Este constitui um espaço de enriquecimento pois cria tempo para a discussão e partilha de práticas pedagógicas de uma forma transversal a todas as áreas do ES, quer ao Universitário quer ao Politécnico. Aqui, “sem descurar os quadros conceptuais de referência, não se pretende uma abordagem teórica e prescritiva, mas sim a partilha e discussão do que os docentes realizam e que funcionou bem e mal em contexto real de prática pedagógica.”

Em Julho passado decorreu a quinta edição desta iniciativa - CNaPPES 2018 – na Universidade do Minho, onde algumas docentes da FCS-UBI participaram. Bateram-se recordes de participantes e comunicações, e os dois palestrantes principais foram António Nóvoa e Peter Felten. O primeiro, ex-reitor da Universidade de Lisboa, na sua intervenção com o título Pedagogia universitária: E agora? Focou-se principalmente no tempo que é necessário para aprender e na necessidade da criação de um novo ambiente universitário. Já o segundo palestrante, Peter Felten, professor da Elon University, nos Estados Unidos, na sua comunicação intitulada The undergraduate experience: What matters most for student success? defendeu a utilização de métodos pedagógicos que promovem uma aprendizagem ativa e que os fatores que mais influenciam a aprendizagem dos alunos são o tempo, o empenho, feedback, a prática e a reflexão.

O CNaPPES 2018 terminou com uma mesa redonda sobre Inovação e Desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem: Estratégias Institucionais onde se debateu a importância do ensino e da pedagogia no ES. Este foi provavelmente um momento único na história do Ensino Superior por se tratar de uma discussão sobre esta temática feita com vice-reitores e pró-reitores de várias instituições. Emergiu deste debate a noção de que algo está a mudar no ES em Portugal, pois pouco a pouco começa a valorizar-se mais os aspetos pedagógicos e a necessidade de melhor preparar os professores para a sua prática pedagógica, para introduzirem inovação nas salas de aula, e assim formarem melhor os estudantes que hoje chegam à universidade. Foi colocada a questão de os professores terem que valorizar a componente de investigação para poderem ter sucesso na sua carreira tendo-se concluído que a componente pedagógica e de investigação devem andar lado a lado pois um bom professor deve ser também um bom investigador e deve-se pugnar para que ambas as vertentes sejam reconhecidas para progressão na carreira universitária.

A participação neste debate fez-nos refletir sobre a necessidade de uma Universidade do interior se dever destacar pela qualidade do ensino que oferece aos seus alunos, não podendo ficar para trás no panorama nacional em que, mesmo algumas das universidades mais antigas, estão empenhadas e desenvolvem estratégias para a melhoria da sua qualidade pedagógica.

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