Práticas e Limites

Um catálogo de 16 boas práticas e 10 linhas vermelhas, pesquisável e filtrável por contexto de utilização.

Utilizações responsáveis

O princípio geral que inspira a definição de boas práticas assenta na ideia de que o ser humano deve permanecer em pleno controlo das tarefas, decisões e processos em que está envolvido, sendo responsável por eles. Esta ideia sugere imediatamente que a utilização destas ferramentas não deve ocorrer nem no início nem no final desses processos: no primeiro caso, estar-se-ia a iniciar o processo com um vício; no segundo, estar-se-ia a atribuir às ferramentas um poder de decisão que não lhes deve competir.

Utilizações limitadas

A utilização de uma ferramenta para executar uma tarefa intelectual que o próprio utilizador não conseguiria dominar em tempo útil, ou que não integra a sua área de conhecimento, constitui uma zona cinzenta em termos éticos, para além das questões de autoria intelectual. A criação de imagens por pessoas sem competências de ilustração, a elaboração de poesia, de letras de músicas ou de composições musicais são exemplos representativos.

Caso essa utilização seja efetuada para efeitos puramente lúdicos, a situação deixa de assumir um caráter tão problemático. Contudo, quando a intenção for assumir a autoria ou apresentar o resultado como integralmente do utilizador, a legitimidade do uso fica condicionada à clareza e à fundamentação da explicação que justifique a necessidade ou a motivação para a utilização da ferramenta.

A transformação ou tradução de conteúdos de que o utilizador é autor — submeter um artigo a uma ferramenta que o converta numa apresentação, ou uma dissertação que seja convertida num artigo — pode adicionar informações fictícias, criar a perceção de um domínio que não corresponde à realidade e comprometer competências como a capacidade de síntese e reestruturação de conteúdo.

Utilizações desencorajadas

O princípio geral no qual se inspira a definição das linhas vermelhas é o de que a Inteligência Artificial generativa não deve ser utilizada de forma a substituir um humano nas suas tarefas cognitivas, sobretudo em tarefas relacionadas com a tomada de decisão ou no início de processos criativos ou intelectuais. Assim, espera-se que a utilização apareça numa fase intermédia de um processo humano, mas não na sua génese.

Constituem exceções quaisquer processos cujo objetivo seja mesmo começar por gerar um conjunto de hipóteses que irão ser rebatidas logo de seguida — por exemplo, pedir que se gere um texto sobre um assunto, no contexto de uma aula, para que se discutam possíveis falhas posteriormente.

Vai utilizar uma destas ferramentas?

Por defeito, o uso deve ser declarado de forma explícita e oportuna. Veja como.