A nova temporada no Teatro Municipal da Covilhã (TMC~) inicia a 12 de setembro, sábado, às 21h30, com “A Luminosa Violência da Perfeição”, espetáculo de dança criado pelo aclamado coreógrafo, performer e artista visual português Daniel Matos. Inspirada na obra “Pavana para uma Infanta Defunta”, de Maurice Ravel, este distinto espetáculo cruza o movimento coreográfico com a música de Joana Guerra e resulta de uma coprodução do TMC~ com o Teatro das Figuras, com o Cine-Teatro de Torres Vedras e com o Município de Lagos.
Em palco, seis bailarinos e uma equipa de basquetebol composta por crianças constroem um cortejo coreográfico onde lentidão e intensidade coexistem, numa dança de carácter melancólico de onde emerge uma reflexão sobre o adiamento do fim da juventude e sobre aquilo que ainda está por viver. Cinco crianças da Covilhã, com idades entre os 8 e 10 anos, e alunas de dança no Conservatório, subirão ao palco do TMC~, compondo o variado e talentoso elenco deste espetáculo.
“Talvez por me aperceber que deixei coisas para trás, ou por sentir que não vivi vagarosamente uma adolescência que deveria ser eterna, encontro agora um refúgio neste tempo da pavana para gerar uma coreografia interminável, incontrolável. Uma fugacidade que não desacelere nunca do início até ao fim deste cortejo, questionando assim qual é realmente a durabilidade da ausência de pausa, utilizando o tempo no seu exponencial máximo. Poderá um corpo driblar-se a si próprio em campo?”, explica Daniel Matos
Em “A Luminosa Violência da Perfeição”, vai-se ao topo da montanha não para entrar, “mas para sair de nós mesmos”. Chegou a hora, diz Daniel Matos, “de respirarmos menos e suarmos mais”.
Daniel Matos nasceu em 1995 em Lagos. Coreógrafo, performer a artista plástico, Daniel Matos desenvolve o seu trabalho através de práticas multidisciplinares onde explora o corpo como campo biográfico e assumindo o presente como um espaço político e de transgressão, ritual e afeto.
Desde 2014, é colaborador artístico, performer e assistente de ensaios do duo Ana Borralho & João Galante, participando nas criações Atlas, SexyMF, Louise Michel, Tempo p/ Refletir e O Centro do Mundo. Enquanto intérprete, colabora com Angélica Liddell, Romeo Castellucci, Barbara Griggi, Luís Marrafa, André Uerba, Amélia Bentes e Davis Freeman. Desde 2017, apresenta o seu trabalho em países como França, Brasil, Indonésia, Áustria, Noruega, Índia, Macau, Singapura, Austrália e Itália. Destacam-se “Vara” (2022), nomeada para Melhor Coreografia pela SPA em 2023, e “A Pedra, A Mágoa” (2024), vencedora do Prémio Internacional “Drop”, no PUF Festival (Pula, Croácia) do Prémio Melhor Coreografia pela SPA em 2025.
Com Joana Duarte, fundou em 2017 a CAMA – Associação Cultural, onde é artista residente e diretor artístico. Assume a co-direção artística e programação do Pedra Dura – Festival de Dança do Algarve, sendo também co-curador do Festival Internacional Verão Azul. Em 2023, cria o CENDDA – Centro de Documentação de Dança do Algarve. Em 2025, co-cria “Durarei por Paz e Nunca por Mal”, um solo para Mélanie Ferreira, e desenvolve um ciclo de vídeo-dança em colaboração com o videógrafo João Catarino, intitulado “Crying Cycle”. A convite da dupla de coreógrafos Sofia Dias & Vítor Roriz, integrou o LAB Cumplicidades em 2025, apresentando a performance “Rider Sonata nº 8” em co-produção com o MAT Museu e com a Fundação Champalimaud.
Em 2026, Daniel Matos é artista associado dos Estúdios Victor Córdon / OPART, sendo o artista convidado para o programa EM CASA.