O Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior (MUSLAN-UBI) acolhe a exposição “Teias da Terra”, de Alice Albergaria Lopes.
A mostra pretende refletir o estudo sobre as lãs das raças ovinas autóctones portuguesas e nasce da necessidade de valorizar a lã nacional, transformando-a novamente num recurso com significado cultural, ambiental e económico. A partir de trabalho de campo junto de criadores, a artista desenvolve peças têxteis que exploram as cores naturais da lã e o uso de corantes vegetais.
A exposição será inaugurada no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, 18 de abril (sábado), pelas 16h30, no Núcleo da Real Fábrica Veiga, ficando patente até 13 de janeiro de 2027.
Sinopse
Mostra do trabalho desenvolvido por Alice Albergaria Borges no contexto do Mestrado em Design de Produto da
ESAD.CR a partir das lãs das 16 raças ovinas autóctones portuguesas.
O projeto nasce como reação à atual crise da lã, uma vez que, neste momento, a maior parte das lãs nacionais são desperdiçadas, transformando um recurso natural valioso num problema ambiental e económico.
A classificação atualizada das raças de ovelhas autóctones portuguesas revela que, em diferentes graus, todas se encontram ameaçadas de extinção. Utilizar a lã destas ovelhas significa valorizar um recurso já existente, que, apesar do seu potencial, é normalmente negligenciado.
O projeto Teias da Terra foi organizado por teias - conjunto de fios longitudinais num tecido, que se montam no tear -, desenvolvidas a partir das viagens de campo realizadas na primeira fase do projeto, procurando reunir, de forma tanto material como metafórica, os encontros com ovelhas, pessoas e plantas.
Da recolha efetuada, desenvolveram-se fios e amostras tecidas à mão, apresentando uma reflexão atual sobre a importância destes ofícios como Acão de resistência ao consumo rápido e superficial do têxtil. A lã foi procurada diretamente a criadores, interpretando os encontros e lugares. Procurou-se valorizar as cores naturais das lãs, além de realizarem-se experiências de tingimento com corantes naturais a partir de plantas dos respetivos territórios, considerando a biodiversidade e recursos disponíveis, respeitando os seus ciclos e ritmos naturais.
Nota Biográfica
Alice Albergaria Borges nasceu em Lisboa em 1997.
Estudou Produção Artística Têxtil na Escola Artística António Arroio (Lisboa) e licenciou-se em Design Têxtil na Chelsea College of Arts (University of the Arts London). Recentemente, terminou o Mestrado em Design de Produto na ESAD.CR (Instituto Politécnico de Leiria), com um projeto de investigação sobre a lã das diferentes raças ovinas autóctones portuguesas, intitulado Teias da Terra (2025).
Atualmente trabalha como tecedeira independente, numa abordagem contemporânea com especial atenção para a sustentabilidade da produção têxtil. Cria objetos têxteis com fibras naturais, tingidas à mão com corantes também naturais, além de dinamizar oficinas práticas de fiação, tinturaria natural e tecelagem.