O investigador Jorge Maia, do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade da Beira Interior (UBI), está envolvido na nova fase da experiência GLOSS (Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors).
Em causa está o teste de materiais essenciais para os sensores dos futuros telescópios de raios gama — instrumentos fundamentais para explorar fenómenos extremos do Universo. Para isso, é crucial desenvolver sensores capazes de resistir às condições extremas do ambiente orbital.
A experiência foi instalada no módulo Bartolomeo da ISS, em dezembro de 2024, sendo composta por amostras passivas de sensores e lentes Laue de raios gama, sistemas essenciais para a construção de telescópios de raios gama avançados.
As amostras agora recuperadas estiveram expostas a temperaturas entre -150°C e +120°C, radiação intensa e oxidação, numa plataforma exterior da Estação Espacial Internacional.
Nos próximos meses, a equipa liderada por Jorge Maia e Rui Curado Silva (do LIP) irá comparar os sensores que estiveram no espaço com sensores idênticos mantidos na Terra, avaliando a degradação e a viabilidade tecnológica para missões futuras. Os resultados poderão influenciar o desenvolvimento de telescópios de próxima geração e aumentar a sensibilidade de observação em astrofísica de altas energias.
A experiência GLOSS envolve instituições portuguesas e italianas e é financiada pela Agência Espacial Europeia e pela Agência Espacial Portuguesa.