O Clube de Cinema da Universidade da Beira Interior (UBI) promove mais uma sessão da Mostra Cinema Resistência, uma iniciativa que dedica as sessões à resistência da mulher, reunindo obras que, em diferentes registos e realidades, abordam percursos de resistência em várias geografias e temporalidades.
A segunda sessão do mês exibe o filme “Que bom te ver viva”, de Lúcia Murat, cineasta brasileira nascida em 1948, ex-presa política e torturada, conhecida por abordar a ditadura militar e questões sociais com olhar humanista e por misturar ficção e documentário.
“Que Bom Te Ver Viva” mistura os delírios e fantasias de uma personagem anónima, interpretada por Irene Ravache, aos depoimentos de oito ex-presas políticas brasileiras que viveram situações de tortura. O filme expõe o preço que essas mulheres pagaram, e ainda pagam, por terem sobrevivido lúcidas à experiência da tortura. Para diferenciar ficção e documentário, a diretora gravou os depoimentos em vídeo, com enquadramento semelhante ao retrato 3x4, filmou o quotidiano à luz natural, representando a vida aparente, e utilizou a luz teatral para focar o que está atrás da fotografia — o discurso inconsciente do monólogo.
Com entrada gratuita, a sessão decorre no Polo I (Anfiteatro da Parada), pelas 18h30 no dia 10 de março (terça-feira).